Como qualificar lead de e-commerce antes da primeira reunião
Nem toda loja que aceita reunião pode comprar. Perguntas e sinais para separar o lojista que fecha agora do que só vai ocupar a sua agenda, com o BANT adaptado para loja virtual.
Em 30 segundos
- Metade da qualificação acontece antes da reunião. Plataforma, porte, pagamento e segmento já dizem muito sobre orçamento e maturidade.
- Loja grande é rara: hoje só 2,9% das lojas virtuais da base são de porte grande. Não dá para montar uma carteira só com elas.
- O BANT funciona com lojista se você trocar as perguntas. Orçamento vira "quanto custa o problema", e autoridade quase sempre é o dono.
- Desqualificar cedo é o que libera agenda para as lojas que fecham.
Toda agência e todo consultor já passou por isso: a reunião foi ótima, o lojista adorou a proposta e, três semanas depois, a resposta é "vamos deixar para o ano que vem". Não foi falta de técnica de venda. Foi falta de qualificação. A loja nunca teve orçamento, ou o problema que você resolve não era prioridade, ou quem estava na reunião não decidia nada.
Qualificar é descobrir, o mais cedo possível, se a loja pode e quer comprar o que você vende agora. Este texto mostra como fazer isso com lojista, em duas etapas: o que dá para ver antes da reunião e o que você precisa perguntar nela.
O BANT, adaptado para loja virtual
BANT é o acrônimo clássico de qualificação em vendas: orçamento (budget), autoridade (authority), necessidade (need) e prazo (timing). Funciona bem em venda corporativa, mas precisa de ajuste quando o cliente é uma loja virtual de pequeno ou médio porte.
Orçamento. Lojista raramente tem uma verba separada para "agência" ou "tecnologia". Ele tem um caixa que oscila com a sazonalidade. Perguntar "qual é o orçamento?" costuma gerar um número inventado ou um silêncio. A pergunta melhor é sobre o tamanho do problema: quanto a loja perde por mês com o carrinho abandonado, com o frete caro, com o estoque parado.
Autoridade. Na maioria das lojas, quem decide é o dono, às vezes com um sócio. Em lojas maiores aparece um gerente de e-commerce, mas a palavra final sobre gasto costuma continuar com quem assina o cheque. Se o dono não está na reunião, pergunte como a decisão vai ser tomada e quem mais precisa ver a proposta.
Necessidade. É a parte que o lojista mais gosta de falar, e é aí que mora a armadilha. Todo lojista quer vender mais. A pergunta é se o que você vende resolve o gargalo dele hoje. Uma loja que não tem tráfego não precisa de um app de recomendação; precisa de tráfego.
Prazo. E-commerce tem calendário: Dia das Mães, Dia dos Namorados, Black Friday, Natal. Um projeto que só fica pronto depois da data que importa para a loja perde o sentido. Pergunte qual é a próxima data forte e trabalhe de trás para frente.
O que dá para ver antes da reunião
A grande vantagem de vender para loja virtual é que a loja está aberta para você olhar. Antes de qualquer conversa, dá para saber em que plataforma ela roda, quais meios de pagamento aceita, qual é o porte, em que estado está e o que vende. Cada um desses pontos diz alguma coisa sobre a chance de fechar.
O porte é o primeiro filtro. Hoje a base tem 5.790 lojas de porte grande, contra 197.721 lojas ativas no total. A maior parte do mercado está nas lojas micro, pequenas e médias. Isso não é ruim: significa que a sua carteira provavelmente vai ser feita de muitas lojas médias, e que vale a pena ter uma oferta que caiba nelas. O post sobre lojas virtuais por porte mostra como o mercado se divide.
Use os sinais abaixo para dar uma nota à loja antes de marcar a reunião. Não é ciência exata, mas evita que você gaste uma hora com quem nunca vai comprar.
- altaA loja já investe em algo parecido com o que você vende. Quem anuncia, usa ferramenta de avaliação ou tem atendimento por chat já entendeu que precisa gastar para crescer.
- altaPorte médio ou grande e catálogo bem cuidado. Fotos boas, descrição completa e produto com estoque indicam operação que tem gente e caixa.
- médiaVários meios de pagamento no checkout. Cartão, Pix e boleto juntos mostram uma loja que se preocupa com conversão.
- médiaPlataforma em que você tem experiência. Você chega com casos parecidos e diminui o risco percebido pelo lojista.
- baseLoja muito nova, com poucos produtos e sem pagamento além do básico. Pode virar cliente, mas hoje provavelmente não tem caixa para um projeto.
- baseSegmento em que você nunca trabalhou. Não desqualifica, mas pede mais tempo de preparo e um preço que considere isso.
As perguntas que você faz na reunião
Com a pré-qualificação feita, a reunião serve para confirmar o que você supôs e descobrir o que não dá para ver de fora. Prefira perguntas abertas, que façam o lojista contar a história da loja. Algumas que funcionam bem:
- "O que mudou na loja nos últimos seis meses?" Mostra se a operação está crescendo, estável ou em crise.
- "Qual foi a última coisa em que vocês investiram, e como foi?" Revela se a loja compra serviço e o que achou da experiência.
- "Se esse problema estivesse resolvido hoje, o que mudaria no mês que vem?" Ajuda a medir o tamanho da dor em reais, não em adjetivos.
- "Quem mais precisa participar dessa decisão?" Descobre sócio, contador ou gerente antes de você mandar a proposta para a pessoa errada.
- "Qual é a próxima data importante para a loja?" Define o prazo de verdade.
Repare que nenhuma pergunta é "qual é o seu orçamento?". O orçamento aparece sozinho quando o lojista conta quanto o problema custa e o que já gastou antes.
Desqualificar também é resultado
O vendedor que qualifica bem fecha menos reuniões e mais contratos. Parece contraditório, mas a conta é simples: cada hora gasta com uma loja que não vai comprar é uma hora a menos com uma loja que vai. Quando os sinais não batem, diga isso ao lojista com honestidade. "Pelo que você me contou, acho que agora não é o momento para esse projeto. Faz sentido a gente conversar de novo em setembro?" é uma frase que gera respeito, não perda.
Registre o motivo da desqualificação. Com o tempo, você vai perceber padrões: talvez lojas de um certo porte nunca fechem, ou talvez um segmento sempre peça um prazo que você não consegue cumprir. Esses padrões viram filtros na próxima lista, e a próxima lista já começa mais qualificada.
Da qualificação à lista
O passo final é levar o que você aprendeu para a montagem da lista. Se as lojas que fecham com você são médias, de moda, em plataforma que você conhece e com vários meios de pagamento, a próxima lista deve começar por esse recorte, e não pelo mercado inteiro. Qualificar depois de prospectar é caro. Qualificar na hora de escolher para quem ligar é quase de graça.
Os textos da ecommercebase partem dos números da base de lojas virtuais do Brasil: plataformas, pagamentos, estados e porte, para quem vende para lojista.
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